Para onde vão os sonhos?


Tanta coisa acontecendo no mundo e hoje eu resolvi contar a minha verdadeira trajetória profissional. O relato é fruto das mais doces e equivocadas memórias.


Aos 6 ou 7 anos eu adorava fingir que era bancária. Trancava a porta do escritório da minha mãe e freneticamente digitava muitos números em sua calculadora – que para a minha imensa sorte tinha uma bobina, emitindo relatórios fictícios sensacionais. Eu também adorava datilografar e costumava fumar um lápis atrás do outro (sorry, o exemplo realmente arrasta), neurótica com tanto trabalho. Depois sonhei ser aeromoça (culpa da Gwyneth Paltrow). Porém, perdi as contas do número de vezes que brinquei que tinha uma loja. Neste caso, é lógico que eu era a moça do caixa, registrando cada produto e entregando para o freguês o troco exato com moedas de mentirinha.


Tudo isso foi antes de eu ser influenciada por uma espécie de ansiedade – ainda pior que a pandemia atual. Então, passei a sonhar em ser modelo (até comecei dietas milagrosas no auge dos meus 9 anos) e também cogitei ter um programa de televisão (tipo Show da Xuxa – com o Praga e Dengue ainda nos formatos de personagens não ameaçadores). Foi exatamente aqui o início de alguns sonhos equivocadinhos, que criaram necessidades que não eram tão necessárias assim, mas suficientes para me impedir de voltar atrás.


Antes da fissura de “ser alguém”, eu era orgulhosamente frentista e também médica. Tudo tinha exatamente a mesma importância. E depois?


Depois o mundo foi ficando cada dia mais pesado, quase intoxicado pela necessidade de metas, regras e convenções. De forma sorrateira a felicidade passou a ser mensurada em postagens e rótulos. Eu comecei a sorrir quando estava triste e passei a não desviar do cronograma da minha agenda. Afinal, assumi tantas responsabilidades. E, em dias assim, eu percebo o quanto as crianças não são bobas. Definitivamente elas sabem bem qual é o lado que mais se diverte (principalmente aquelas crianças que se deslumbram mais com os pacotes e embalagens do que com o presente, quem nunca?).


Lojas abrem e fecham, profissões são enterradas e novas nascem, empregos começam e terminam, marcas sobem e despencam na bolsa, presidentes são aclamados e depostos, pessoas nascem e morrem... e o tempo? Ele é o único que continua fluindo intacto – sem pena das minhas sonecas, equívocos e teimosias.


Woody Allen, em uma entrevista ao jornalista Eric Lax, disse: “Eu gostaria de fazer um grande filme, desde que isso não atrapalhe a minha reserva para o jantar”. A partir daí comecei a pensar muito na importância do “trabalhar sem (literalmente) se matar”. Foi quando passei a explicar para os meus filhos que fundamental mesmo é a gente ser dono do próprio nariz. Para alcançar este patamar é preciso muita dedicação. Este é o preço da independência. Agora se eles se deixarem levar por ilusões de grandeza, precisarão pagar o preço da vaidade. Bom, este já costuma ser bem mais alto.


Concordam?


Seguimos juntos.🙏🏼


E, não esqueça de assinar (no rodapé) a nossa newsletter para receber em primeira mão mais conteúdo.❤️


Suellen Trianda


Mãe esforçada, madrasta em treinamento, empreendedora teimosa, escritora de textões, apaixonada pelo Alê, mantida à base de chocolate, movida pela fé e pela busca de respostas para tudo que sentimos e pode ser explicado.

Ainda te vejo no meu Insta @suellentrianda

#caixaderespostas

#suellentrianda

#momentoscomdeus

#bibliadescomplicada

0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Meu livro

Reflexões baseadas nos Salmos para os dias difíceis

Os Salmos nos apontam um caminho precioso rumo ao despertar e também nos ensinam a reconhecer o verdadeiro ouro, após as provas de fogo da vida.

 

Mais que reflexões, o livro é um convite para combater a escuridão com a luz e, consequentemente aprimorar o seu saber viver.

Inscreva-se no canal

  • Instagram - Black Circle
  • YouTube - Black Circle
  • Facebook - Black Circle

Feito com amor. Mantida à base de chocolate.

2020 GAIA STUDIO DIGITAL - ALL RIGHTS RESERVED